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Humanidade 2.0

Postado por Fabiano Coura em 19/06/07 as 19h55

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A apresentação da Profero explorou um pouco aspectos em comum do comportamento humano, principalmente dessa nova geração, que já nasce com o celular grudado nas mãos. Para demonstrar isso, foi apresentada uma entrevista com uma chinesinha, representando um target grupo chinês muito importante - chamado R.A.R.E. - descrito por uma pesquisa conduzida pelo instituto Jigsam International, de Xangai. As iniciais significam: Recognition (reconhecimento), Autonomy (liberdade e auto-expressão), Restlessness (nunca descansam, constantemente buscam estímulos e novidades) e Expertise (suas fontes de coisas novas estão a apenas um click).
Acredita-se que será possível identificar esse grupo em uma quantidade maior de países muito em breve, à medida que certas tecnologias sejam adotadas em conjunto com a inclusão digital. Para nós essa é uma realidade bem distante, principalmente para marcas de produtos de massa, mas vale a pena acompanhar essa tendência.
Teny Xiao Yin – user persona para representar esse grupo – possui 22 anos, tem um ótimo relacionamento com os pais, acaba de iniciar o seu primeiro trabalho e possui um longo valor de consumo ao longo da vida. A Internet faz parte da sua vida, não importa por que dispositivo ela é acessada (celular, paltops, câmera fotográfica, laptops, etc). A maior parte de seus amigos vem da Internet, em comunidades de pessoas com frameworks da vida semelhantes ao dela. Abaixo selecionei alguns aspectos da vida dela que me chamaram atenção:

Limites da vida real
As amizades não são mais baseadas em limites geográficos ou físicos, mas em tópicos de interesse e conexões que podem ser realizadas em qualquer lugar: “A vida na Internet me ajuda a fazer mais amigos. No mundo real estou limitada pelas pessoas que conheço pessoalmente”

Novas referências
Os líderes das comunidades são os maiores influenciadores da sua vida: “Sou dependente da web para trocar informações e não faço mais nada sem consultar meus amigos online”.

Descaso com fórmulas tradicionais
Ela declara abertamente sua preferência pelo novo também quando o assunto é aprendizado – no sentido da busca de caminhos para evoluir na vida: “Você não pode aprender mais nada em livros hoje em dia. Interagindo com meus amigos na web eu acompanhando tudo o que está acontecendo em tempo real e consigo aprender muito mais coisas sobre a vida”.

Total dependência tecnológica
Não é que essa nova geração gosta de tecnologia. Na realidade a tecnologia faz parte da vida deles. Eles acordam e dormem todos os dias com o celular ligado, com o Messenger conectado, com conteúdo sendo postado o dia todo no seu Orkut ou no seu blog. Há muito tempo eles não mais separam o offline do online: “Todos os meus amigos andam com laptops e câmeras fotográficas, criando e consumindo conteúdo de outros usuários o tempo todo”.

A Coca-cola está se preparando muito bem, o que é comprovado em iniciativas de grande sucesso, como a comunidade chinesa que comentei aqui.  Se você parar para pensar, verá que Coca-cola hoje é uma idéia, é música, é um conjunto de sensações... por último é uma bebida. Da mesma forma, o Mini não é um carro, é uma declaração de quem você é. A Guiness não é uma cerveja, é um comportamento. Aliás, Mark Hughes - da Guiness - deu recentemente uma declaração interessante, que atesta que sua marca também está ligada nesse movimento: “It’s no longer a case of how we can persuade people to buy our product but where we can go to meet them”. Além dessa proposta, dessas percepções todas que essas marcas conseguem atrair para si, todas elas entendem muito bem o princípio da relevância e da troca de valores, ou seja, compreendem profundamente o que é importante para seus consumidores antes de entrar na vida deles, de forma certa, em cada um dos pontos de contato, e obtendo as impressões desejadas através da oferta de algo em troca que as pessoas não mais conseguirão viver sem.

O recado é esse: vamos ficar atentos a iniciativas voltadas a esse grupo. A qualquer momento uma marca qualquer já estabelecida poderá iniciar o próximo Google ou o próximo YouTube, como a Cola-cola fez na China. Who knows.

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