Em outubro do ano passado, logo após o congresso da DMA - que foi em Atlanta - escrevi um artigo arriscando um monte de novidades e tendências para a DMA de 2006. Estou postando ele aqui novamente para que vocês dêem uma olhadinha, pois continua atual e provoca alguns questionamentos que devemos ter no nosso dia-a-dia.
Diretamente da DMA 2006 em São Francisco
Fabiano Coura escreveu esse artigo diretamente da DMA de São Francisco, em 24 de outubro de 2006.
A enorme fragmentação da mídia e a atenção das pessoas cada vez mais
divididas entre inúmeros e novos canais de comunicação, distribuídos
pelos mais diversos dispositivos móveis existentes, redução de
investimentos em mídia de massa, search engine marketing, advento de
novas tecnologias para segmentação e mensuração de resultados em tempo
real... blá, blá, blá. Aqui na DMA de São Francisco tudo isso já é
velho! Tudo isso já foi incorporado ao nosso dia-a-dia. Vimos tudo isso
ser discutido com certa importância em todos os cantos da DMA do ano
passado, em Atlanta, mas nesse ano muitos outros assuntos importantes
estão ganhando maior evidência. A maior parte delas está
intrinsecamente ligada à forma como as pessoas estão consumindo mídia,
a maneira como estão usando seu tempo e, fundamentalmente, as suas
expectativas com relação às marcas que fazem parte de suas vidas.
Um mundo completamente conectado.
Vamos falar sério: boot, megabytes, download, windows update, vírus,
só para citar alguns... Tudo isso, era muuuito complicado! Como já
dizia meu sábio avô: “esse trem vai ser bom quando for só ligar na
tomada e já sair usando!”. Em 2006, a Internet está deixando de ser
“coisa de nerd”. Muitas empresas desenvolveram modelos de negócio para
prover acesso sem fio a Internet em todo território nacional. O mais
importante: não precisaremos mais de computadores para isso. Uma grande
quantidade de novos dispositivos, mais baratos, mais acessíveis, mais
portáteis e com interfaces muito mais ergonômicas, está inundando o
mercado. Juntando-se a isso as alternativas de acesso gratuito, teremos
muito mais gente conectada, 24h por dia, em todos os lugares. Isso
significa uma necessidade de agilidade muito maior por parte de sua
empresa, para entender como ela poderá preencher as novas necessidades
desse novo mundo, ainda mais conectado, e distribuir adequadamente uma
melhor experiência com suas marcas através desses novos dispositivos.
Proliferação de novos canais de consideração
Durante muito tempo a Internet foi utilizada como mais um canal para
gerar “conhecimento” sobre produtos ou serviços. Essa é a antiga
maneira de se fazer “comunicação integrada”. Todas as suas páginas
sempre foram inundadas por banners (e depois por peças multimídia),
perfeitamente alinhados – em conceito e visual – aos demais canais, até
que depois de um bom tempo (e muito dinheiro investido) as agencias
tradicionais começaram a perceber que a Internet não funcionava como a
televisão. Primeiro porque as pessoas não “assistem” a Internet de
forma passiva, como ocorre em qualquer outro canal de uma única via.
Segundo, porque a web não faz ninguém chorar ou rir (você já se
emocionou ao ver um banner?) – e essa é a melhor técnica dos criativos
para chamar a atenção das pessoas e se fixar uma idéia. No processo de
decisão de compra convencional, a web funciona perfeitamente como uma
ferramenta para dar suporte na etapa de consideração, em que as pessoas
geralmente buscam informações (fabricantes, modelos, configurações,
features, embalagens, preços, etc.) para dar continuidade a sua compra.
Essa é a mudança mais importante que a Internet trouxe para inúmeros
segmentos de negócios: as pessoas estão substituindo todos os seus
canais de consideração tradicionais pela Internet! Se você não consegue
mais viver sem o Google, sabe exatamente o que é isso. Olhe o que
aconteceu com o mercado de turismo: os agentes de viagens foram
trocados pelas comunidades do Orkut, pelos grupos de discussão
espalhados pela rede, pelos sites pessoais de viagens e pelos reviews
de sites especializados. Em 2006, mais de 86% do volume movimentado em
turismo nos EUA foi influenciado pela Web. Quanto maior a complexidade
do que você vende, maior será a parcela de vendas que sofrerá
influência desses novos canais. Na mesma velocidade em que cresce o
poder de seus consumidores para ignorar a sua comunicação e tomar suas
decisões de forma independente, usando seu acesso facilitado a uma
quantidade crescente de novos canais de consideração (a maior parte
deles incontroláveis), cresce também a necessidade de sua empresa estar
bem posicionada nesses canais, com uma visibilidade privilegiada e com
sua reputação impecável. Uma coisa é certa: sua empresa enfrentará
graves problemas em gerar demanda caso não consiga adequar todos os
seus processos de comunicação para se conectar com seus clientes e
prospects nesse novo cenário. Na minha opinião, as empresas vencedoras
serão aquelas que realmente aprenderem que a única forma de ajudar a si
mesmas será ajudando seus clientes a fazer negócios com elas.
Novas Redes de Relacionamento: cada vez mais amplas e poderosas
Redes de Relacionamento sempre existiram. Nada mais são do que redes
sociais que permitem as pessoas interagir entre si. São viabilizadas
por um canal de comunicação, que pode ser um barzinho na esquina, uma
sala de bate-papo na Internet ou, em maiores proporções, uma rede
virtual como a do MSN Messenger ou das operadoras de celular (agora em
2006 já temos mais de 80 milhões deles no Brasil). A novidade é que
nesse cenário “Always On”, a facilidade para se criar novas redes,
principalmente em função do desenvolvimento e da rápida adoção de novas
tecnologias, será cada vez maior. Você se lembra da agilidade com que o
Skype (sistema de telefonia pela Internet) e o Orkut (rede de
relacionamento pessoal) dominaram a cena na Internet no ano passado?
Essas novas redes estão chegando como alternativas para o e-mail,
telefone e programa de mensagem instantânea, e estão fazendo com que as
pessoas fiquem ainda mais ligadas e próximas umas das outras,
facilitando que se conheçam melhor, troquem e disseminem idéias,
reclamem, falem sobre os outros e, porque não, falem bem ou mal de suas
experiências com as marcas. A velocidade em que as idéias estão
trafegando, assim como a quantidade de pessoas atingidas, está cada vez
maior. Como profissionais de marketing, temos que lidar com o maior de
todos os diferenciais das redes pessoais, como canal de comunicação,
inexistente na propaganda tradicional: a credibilidade que há no
diálogo entre pessoas reais. Nunca mais poderemos gerenciar a reputação
das nossas marcas apenas com investimentos em mídia tradicional.
Precisaremos monitorar constantemente essas redes pessoais e incorporar
boas experiências com nossas marcas em cada uma delas.
Canais pessoais: um grande desafio para as marcas
Nunca foi tão fácil criar um novo canal de comunicação. A primeira
vez que vi um garoto tirar uma foto com o celular e postá-la
imediatamente em seu blog, confesso que fiquei pasmo. Sinto informar
que na DMA de 2006 essa realidade já está bastante ultrapassada. Os
blogs agora são chamados de mlogs, pois permitem a publicação de
conteúdos multimídia mais complexos. Com um simples celular, o mesmo
garoto pode fazer uma transmissão de vídeo ao vivo, não somente para
seu blog, mas também para as TVs e dispositivos portáteis de todos os
integrantes de sua Rede de Relacionamentos. A interação ocorre também
em tempo real. A cada dia milhares de novos canais desse tipo são
criados. A quantidade de informação criada e distribuída diariamente é
infinita, mas graças a avançados modelos de indexação do Google,
somados a avaliação de reputação dos autores pelos próprios leitores,
os conteúdos são automaticamente classificados, e podemos consultá-los
com grande facilidade e altíssima seletividade. Uma tendência tem se
mostrado irreversível: os fornecedores de conteúdo – principalmente os
jornais e revistas – têm perdido considerável espaço para esses novos
veículos. As pessoas, fugindo de tudo o que é comercial, e em busca de
mais autenticidade e verdade para suas vidas, têm valorizado cada vez
mais o conteúdo pessoal em detrimento do editorial. Esses novos
veículos apresentam um risco crescente para as marcas: sua influência é
absolutamente incontrolável. É impossível monitorar com precisão e
agilidade o conteúdo que circula a “mlogosfera”. Os consumidores
insatisfeitos aproveitam esses canais para exercer, ainda mais, o seu
poder. As empresas buscam incansavelmente uma adequação de seus
processos para conter essa força, reforçando principalmente as áreas de
atendimento ao cliente, relacionamento e pós-vendas, na busca de conter
pró-ativamente os movimentos da “mlogosfera”. Essa é a única
alternativa.
O que fazer com tantas novas tecnologias?
Da mesma forma que se falou em Search Engine Marketing no ano
passado, em Atlanta, aqui em São Francisco esse ano a “bola da vez” é o
Behavioral Targeting – prática constituída por ferramentas e técnicas
para se distribuir mensagens de forma dirigida ao comportamento dos
indivíduos em canais interativos. De forma bem simples, funciona assim:
se você navegou em alguns sites de fabricantes de automóvel antes de
chegar ao site do seu banco, com uma ferramenta dessas, ele poderá
identificar seu “comportamento relacionado” e apresentar
automaticamente uma página completamente personalizada para esse seu
suposto momento de troca do carro, comunicando as alternativas de
financiamento e oferecendo um simulador para o seguro do futuro carro.
Essa é apenas uma entre tantas outras inovações absurdas que estou
vendo por aqui para aumentar a precisão de seleção do target e a
relevância das ofertas. Tem também uma novidade da Apple, que acaba de
criar uma unidade de negócios para prestar serviços em Advertising, o
novo iPod que recebe conteúdo grátis de acordo com seu perfil de
consumo e sua disposição em assistir alguns comerciais, e o celular
popular integrado ao GPS, que recebe mensagens personalizadas à medida
que você se locomove pelas regiões da cidade. Em meio a todas essas
novas armas, só se fala em uma coisa: como rentabilizar os
investimentos realizados junto a todas essas novas práticas? E aí
aproveito para reforçar uma regra em que sempre acreditei: as novas
tecnologias, assim como as novas ferramentas devem ser escravas da
situação, e não o contrário. Muitas dessas novidades são completamente
dispensáveis e não será um grande problema continuar vivendo sem elas.
O importante é ter um bom senso apurado para identificar reais
oportunidades de gerar valor para sua empresa e para seus clientes,
priorizando sempre a inteligência à tecnologia.
Vamos voltar a 2005? Na velocidade em que essas coisas todas estão
acontecendo, o “ontem” já é velho. Peguei-me pensando sobre isso e
cheguei à conclusão que um bom começo seria pensar sobre o que não
mudou, e o que nunca vai mudar: a necessidade de conversar com seus
clientes continuamente, entendê-los e se antecipar a todas as suas
necessidades e desejos, promovendo encantamento em cada contato. Novas
oportunidades ou novas ameaças? Agora você pode escolher o que esse
novo mundo vai representar para seus negócios.