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Os gadgets que você compra dizem muito sobre você

Postado por Fabiano Coura em 08/08/07 as 05h56

Publicado também no CCSP (aqui)

Você já parou para pensar sobre a relação dos gastos com tecnologia com o padrão de consumo de mídia? Acabei de ver uma notícia na Info Exame (aqui) que diz que há a chance de que pela primeira vez na história do varejo brasileiro, as vendas de computadores superem as de TVs. O que isso significa? Porque esse tipo de notícia deve nos alertar?

Vamos começar pelo início. Ainda hoje, grande parte dos anunciantes investe em canais e iniciativas “push” – eu falo e você escuta – correto? Basta navegar pela internet ou abrir qualquer revista para confirmar esse comportamento imutável de grande parte das marcas, lutando por atenção sem poupar recursos: vejam meu produto novo, vejam como sou legal, venham me conhecer melhor, venham experimentar algo inédito que eu tenho para você, e por aí vai.

Esse cenário está mudando. Aliás, está mudando ainda muito mais rápido nas organizações mais visionárias, que há tempos testam iniciativas diferenciadas para compreender cada vez mais esse novo consumidor, que surge exigente e interativo, em meio a centenas de lançamentos de novos gadgets. Esses novos dispositivos definem novas formas para que as pessoas gastem seu tempo, se comuniquem, consumam e produzam conteúdo. Munidos desses dispositivos em suas casas e em seus bolsos, esse novo consumidor consolida definitivamente um novo padrão de consumo de mídia: o padrão “totalmente imprevisível”, baseado no comportamento “pull” – quando EU quiser eu vou atrás de você e te escuto. Isso ocorre porque essas tecnologias – como já sabemos – permitem um controle sem precedente e crescente sobre o consumo de conteúdo, e autonomia para bloquear mensagens comerciais. Um desafio e tanto para os planejadores de mídia que, em meio a essa fragmentação de comportamento, precisam encontrar os possíveis consumidores e garantir a perfeita sincronia entre a mensagem e sua intenção de compra.

Portanto, fica claro que há uma relação fortíssima entre a forma como as pessoas gastam seu dinheiro em novas tecnologias hoje e o futuro das nossas marcas, o que implica numa ampliação do nosso escopo como planejadores. Para encontrarmos insights genuínos e que contribuam também com o planejamento de mídia, teremos que entender mais profundamente sobre as influências dessas tecnologias, que vão desde um novo celular (iPhone), passam pelo novo videogame (Playstation3) e chegam até na oferta de Internet em aviões.

Para fechar, acho que algumas perguntinhas devem ser inevitavelmente inseridas no nosso dia-a-dia: quais tecnologias interferem (ou irão interferir muito em breve) no padrão de consumo de mídia dos stakeholders da minha marca? O que essas novas tecnologias oferecem? Como os formadores de opinião da minha marca pretendem consumi-la? Em quanto tempo essa tecnologia será mainstream? Posso me antecipar e desenvolver algum diferencial competitivo nessa plataforma?

Não é tão difícil assim, mas poderia ser mais fácil se tivessemos acesso a pesquisas tão detalhadas como essa ai mais abaixo, que apresenta a composição detalhada de gastos dos americanos. Aproveite para exercitar um pouco sua bola de cristal :)

Techdollarchart

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